| 7 Coisas Que eu Não Aprendi na Faculdade |
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1/Acabou a ‘Lição de Casa’
A partir de agora, sua vida “profissional” começa prá valer. A gente dificilmente para prá pensar nisso ao entrar na Faculdade, mas o quanto antes percebemos isso, mais proveito conseguimos tirar do tempo que passamos aqui dentro. E o melhor é que é um começo livre de qualquer um dos problemas “reais” da vida profissional: nossas cabeças estão pipocando de idéias e vontade de criar - e o melhor, criar sem vícios de mercado, sem o compromisso de agradar ao cliente ou atingir ao público. Por isso, é importante aproveitar cada oportunidade, por menor que seja, para experimentar e se arriscar sem medo de errar - seja diagramando o relatório de um livro ou criando uma publicação complexa na aula de Projeto. Cada um desses trabalhos, além de uma oportunidade de aprimoramento, constituem em um portfólio registrando um percurso pessoal, que podem inspirar e iniciar relacionamentos com outros profissionais, sejam eles designers, clientes ou colaboradores em potencial.
2/Prefira ser bom em uma coisa do que medíocre em várias
Não quero causar polêmica ou soar pretensioso. O que quero dizer é que para se tornar realmente bom em alguma coisa - qualquer que seja - é importante se envolver completamente. Comê-la, bebê-la, respirá-la, pensar nela do momento que se acorda ao momento em que se vai dormir - ou seja, deixar que aquilo se torne parte de sua vida. Ao longo da nossa vida, vamos descobrindo o que realmente nos dá prazer. Isso pode acontecer de sopetão, após uma experiência marcante, bem como lentamente, ao se dedicar anos a fio para resolver problemas semelhantes. É claro que isso não funciona para 100% das pessoas e que pode mudar com o tempo. Pessoas envelhecem e interesses mudam. Mas o que nunca deve mudar é o esforço para se dedicar ao que se gosta com carinho e prazer.
3/Gosto é relativo. Competência, não
Ao avaliar o trabalho dos outros, precisamos ser cautelosos. Há os que são mais modernistas e organizados; os que são mais intuitivos e experimentais; os que são mais provocadores e desafiantes. Se nos identificamos mais com uma postura, e guiamos nosso trabalho através dela, isso não quer dizer necessariamente que as outras não tem capacidade de resolver bem os mesmos problemas. É apenas uma de várias soluções que poderiam ter sido escolhidas. O que realmente importa ao se pensar sobre o resultado de um trabalho é o quão competente aquela solução foi para o problema, e questões de foro pessoal como gosto devem ficar em segundo plano. Esta é uma via de duas mãos para todo bom relacionamento criativo: funciona para alunos, funciona para professores, funciona para designers e para clientes também. Se desprender destas questões é um exercício difícil, mas fundamental.
5/Não perca a vontade de aprender
Nos últimos 4 ou 5 anos, eu desenvolvi um hábito que repito diariamente: depois de acordar eu leio o jornal, checo emails, e sempre passo ao menos meia hora da minha manhã olhando blogs e/ou portais de design, visitando portfolios, notícias sobre comunicação visual, e vendo quais livros foram lançados. Mesmo que eu esteja passando por uma fase mais difícil, em que esteja cansado do trabalho e não aguente mais ver um computador na minha frente, eu faço isso. Para mim, é vital pesquisar e aprender o tempo inteiro: pesquisar novidades, pesquisar referências visuais, ver o que de novo está se fazendo e também olhar para o passado da área, procurando entender o que já foi feito e como e porque funciona (ou não). São todas coisas que colaboram prá manter meu interesse na profissão.
6/O Design não deve bastar
“Ao longo dos anos, eu percebi que meus melhores trabalhos sempre envolviam assuntos que me interessavam, ou - ainda melhor - assuntos sobre os quais eu me interessei, e até mesmo se tornaram minhas novas paixões durante o processo de criação. Eu ainda sou apaixonado pelo design. Mas a melhor coisa de um trabalho de design é que ele sempre trata sobre alguma outra coisa. Leis corporativas. Futebol profissional. Arte. Política. Uma personalidade. (...) Para mim, a conclusão é inevitável: quanto mais coisas te interessarem, melhor seu trabalho irá se tornar. (...) Nem tudo é design. Mas design pode falar sobre tudo. Então faça um favor a você mesmo: esteja pronto para tudo.”
Michael Bierut. Warning: May Contain Non-Design Content;
Retirado do livro Seventy-Nine Short Essays on Design, 2007.
7/Questione sempre: as coisas, os outros e especialmente você mesmo
Ao entrar, passar, e logo após sair da faculdade, eu tinha certeza de uma porção de coisas, e me apegava a muitas delas, tanto em discussões em sala de aula quanto nos projetos que eu desenvolvia. Ao começar a trabalhar com mais frequência, e enfrentar clientes reais, prazos reais, limitações reais e desafios reais, várias destas certezas foram por água abaixo. Com o tempo eu aprendi a pensar duas, três, dez vezes sobre as coisas. A dar um passo para trás, olhar a situação e decidir se tudo o que eu tinha feito até agora fazia sentido, ou se era hora de começar de abandonar estas certezas e começar de novo.
Obrigado.
A todos que me ensinaram, de forma direta ou indireta, cada uma dessas 7 coisas. E a cada um dos que leram e ouviram o que eu tinha para dizer. Um agradecimento especial à Marli, pelo convite. O projeto desse folder se apropria de uma idéia retirada do livro Seventy-Nine Short Essays On Design, de Michael Bierut, desenhado por Abbott Miller. Da mesma maneira que no livro, cada um dos tópicos deste texto utiliza uma fonte diferente.
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